SÃO PAULO – Combinar alimentação saudável, controle de peso e prática de atividade física é capaz de prevenir 19% dos casos de câncer no País, aponta o relatório Políticas e Ações para a Prevenção do Câncer no Brasil, Alimentação, Nutrição e Atividade Física, divulgado ontem pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) em parceria com o Fundo Mundial de Pesquisa contra o Câncer.
De acordo com o levantamento, a união desses fatores poderia evitar 63% dos casos de câncer de boca, faringe e laringe no Brasil, 60% dos tumores de esôfago, 52% dos casos no endométrio, 41% dos cânceres de estômago, 37% dos casos de câncer colorretal e 34% de pâncreas. O Inca estima o surgimento de 375.420 casos novos de câncer em 2010.
“Este é primeiro levantamento que traz dados específicos para o Brasil relacionando incidência dos tumores com fatores de risco. Traz também um conjunto de ações que, juntas, têm grande potencial de proteção contra o câncer”, afirma Cláudio Noronha, coordenador da Divisão de Prevenção e Vigilância do Inca.
“Já se sabia que a obesidade aumenta o risco de desenvolvimento de uma série de tumores, especialmente de fígado, pâncreas e endométrio. Mas a importância é a compilação desses dados e a conscientização das pessoas”, avalia o endocrinologista Bruno Geloneze, coordenador do Laboratório de Investigação de Metabolismo e Diabetes da Unicamp.
Segundo o relatório, o controle do peso, mesmo sem atividade física constante, também seria eficaz no controle do câncer, podendo evitar 13% dos casos.
Segundo Noronha, a publicação também chama a atenção para medidas simples para tentar manter hábitos saudáveis. Cerca de 10% dos casos de câncer são determinados por fatores hereditários. Os outros 90% decorrem do padrão de vida da pessoa, incluindo exposição a infecções, agentes tóxicos, padrão de alimentação, entre outras coisas que podem ser evitadas.
De acordo com o Inca, o Sistema Único de Saúde (SUS) registra cerca de 546 mil internações por câncer anualmente – estima-se que são 259 mil internações na saúde suplementar. Cada internação no SUS custa, em média, R$ 1.446,34 para os cofres públicos.
Unindo alimentação saudável, atividade física e peso adequado, o Inca estima que haveria uma economia de R$ 84 milhões em 2010, nos gastos com tumores de boca, faringe e laringe, esôfago, pulmão, estômago, colorretal e mama.
“O Brasil, de modo geral, ainda gasta muito com o tratamento do câncer por falta de uma política adequada de prevenção. Vivemos em um país cercado pelo mar e, mesmo assim, o consumo de peixe é baixíssimo, pois é muito caro para a maioria da população. E o peixe é infinitamente mais saudável do que a carne vermelha”, diz a nutricionista Matos.