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Estudo sobre o uso de celulares e o câncer de cérebro

RIO - A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou nesta segunda-feira o maior estudo já realizado sobre o uso de celular e a probabilidade de desenvolver câncer de cérebro. A pesquisa durou dez anos e envolveu 13 mil pessoas, em 13 países. Segundo os autores, há um possível risco à saúde com a utilização excessiva desses aparelhos, mas afirmam que são necessárias novas investigações para obter conclusões definitivas a respeito do tema.

O estudo da Agência Internacional para a Investigação de Câncer (IARC, na sigla em inglês) da OMS - com participação de 21 cientistas internacionais - analisou dados de usuários sem problemas de saúde e de pacientes com dois tipos de tumores cerebrais: glioma e meningioma. O cérebro é um dos tecidos que mais absorvem a radiação emitida pelos celulares. Os resultados indicaram que o grupo que passava mais tempo ao telefone apresentou um risco maior de ambos os tumores. Porém, segundo os autores, não foi possível relacionar esse hábito como uma causa direta da doença. E alguns dados deixaram os cientistas sem respostas. Por exemplo, eles constataram que, em geral, usuários de celulares têm um risco menor de câncer cerebral do que indivíduos que não andam com esses aparelhos.

Segundo os investigadores, ocorreram problemas com a metodologia do estudo e, portanto, as conclusões não são confiáveis. Além disso, os padrões de uso dos telefones móveis e a fabricação de seus componentes mudaram muito desde 2000, quando os cientistas iniciaram a investigação. A julgar pelos dados de hoje, a maioria dos participantes não usava celular de forma excessiva, afirmam.

Em média, o tempo de uso do aparelho entre os participantes era de cerca de meia hora por dia. E hoje se estima que uma pessoa use um telefone móvel durante uma hora ou mais ao dia. E também se deve levar em conta que a tecnologia na produção dos modelos avançaram muito e os fabricantes reduziram as emissões de radiação. Outro detalhe importante é que hoje em dia se usa mais as operações de textos, como SMS, que afastam o aparelho da cabeça.

- Por causa desses fatores, é preciso fazer mais estudos a respeito do tema - disse Christopher Wild - diretor da IARC. - Não se estabeleceu um maior risco de câncer cerebral.

Para os críticos do estudo, a análise foi malfeita porque, em vez de monitorar os participantes, foi pedido apenas que recordassem quanto tempo e em qual ouvido colocavam os seus celulares em dez anos. Além disso, a pesquisa foi financiada em grande parte por empresas de telefonia móvel.

Vários estudos anteriores já haviam investigado os efeitos à saúde da exposição de baixo nível à radiação microondas emitidas e recebidas pelos celulares. Mas até agora nenhuma delas obteve evidências claras de que essas ondas produzem sérios danos ao DNA das células, levando ao câncer. E também já se estudou a possibilidade de que as pequenas quantidades de calor que os celulares geram junto ao ouvido sejam suficientes para produzir alguma doença.

Fonte: O Globo