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Mais pessoas dizem adeus ao cigarro

A primeira Pesquisa Especial Sobre Tabagismo (Petab), realizada pelo IBGE e divulgada em novembro de 2009, revela que o número de ex-fumantes no Brasil já ultrapassa o número de fumantes. Já o Instituto do Coração (Incor), do Hospital das Clínicas de São Paulo, constatou que, após alguns meses de funcionamento da lei antifumo no Estado, foi reduzida em quatro vezes a concentração de monóxido de carbono nos ambientes fechados. Pernambuco, Ceará e Rio de Janeiro são exemplos de Estados que também aderiram à lei e, dessa forma, colaboram para a diminuição do número de fumantes.

Em Pernambuco, depoimentos de médicos e pacientes comprovam a eficácia da medida. O auxiliar administrativo Aurino Lourenço, 60 anos, foi fumante durante 45 anos de sua vida. “Comecei aos 14. Naquela época, era bonito fumar. Os jovens gostavam muito”, lembra, afirmando que, nos últimos anos, começou a sentir-se excluído em diversos ambientes por causa do vício. “Até em bares, que antes eram lugares onde tinha muitos fumantes, eu comecei a notar as pessoas se afastando quando eu acendia o cigarro. No meu trabalho, reclamavam, na minha casa, também. Qualquer objeto que eu pegava ficava com o cheiro e, mesmo que eu tentasse disfarçar, escovando os dentes, as pessoas percebiam”, conta.
Incentivado por um médico, que solicitou exames e informou que ele tinha problemas de saúde provocados pelo cigarro, seu Aurino resolveu lutar contra o vício. “Nas minhas pernas tinham veias entupidas, tudo por causa do cigarro”, diz. Há um ano, sem precisar de medicamentos, ele conseguiu. O próximo passo, foi incentivar a esposa a também parar. “Ela precisou de remédios, mas também conseguiu”, comemora, dizendo que, agora, seu projeto é fazer campanha no bairro onde mora. “Quero ir às escolas, mostrar aos jovens os males provocados pelo cigarro”, salienta, acrescentando que as campanhas promovidas pelo governo, principalmente as divulgadas nas carteiras de cigarro, sempre chamaram muito a sua atenção. “Ficava com medo quando via a foto de um homem todo entubado porque fumou muito.”

O cardiologista Sílvio Paffer ressalta que essas medidas governamentais têm um efeito muito importante. “Já está provado que uma singela medida (a lei que proíbe fumo em ambientes públicos) provocou mudanças positivas. Os malefícios do cigarro não atingem somente quem fuma, mas todo o ambiente. O dependente do cigarro é um dos mais difíceis de serem tratados: o produto é barato, não se fuma escondido, porque é legalizado, pode-se comprar fiado e a indústria ainda utiliza artifícios para iludir os consumidores, como as versões light”, alerta. Já o pneumologista Murilo Guimarães diz que, depois da implantação da lei, mais pacientes procuram os consultórios, dispostos a deixar de fumar. “Desde a década de 80 lutávamos por isso.”

Fonte: Jornal do Commercio